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© Projeto Releituras
Arnaldo Nogueira Jr




Nome:
Gilberto Freyre

Nascimento:
15/03/1900

Natural:
Recife - PE

Morte:
18/07/1987

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Gilberto Freyre


As mangueiras
o telhado velho
o pátio branco
as sombras da tarde cansada
até o fantasma da judia rica
tudo esta à espera do romance começado

um dia sobre os tijolos soltos
a cadeira de balanço será o principal ruído
as mangueiras
o telhado
o pátio
as sombras
o fantasma da moça
tudo ouvirá em silêncio o ruído pequeno."



Nasce no Recife, em 15 de março de 1900, Gilberto Freyre, filho do Dr. Alfredo Freyre — educador, Juiz de Direito e catedrático de Economia Política da Faculdade de Direito do Recife — e de D. Francisca de Mello Freyre.

Aos seis anos de idade tenta fugir de casa,  escondendo-se em Olinda, cidade à qual devotou grande amor e da qual escreveria, em 1939, o 2° Guia Prático, Histórico e Sentimental.

Inicia seus estudos freqüentando o Jardim da Infância do Colégio Americano Gilreath, em 1908. Faz seu primeiro contato com a literatura através das Viagens de Gulliver. Mas, apesar de seu interesse, não consegue aprender a escrever, fazendo-se notar pelos desenhos. Toma aulas particulares com o pintor Telles Júnior, que reclama contra sua insistência em deformar os modelos. Começa a aprender a ler e escrever em inglês com Mr. Williams, que elogia seus desenhos.

Em 1909 falece sua avó materna, que viva a mimá-lo por supor ser o neto retardado, pela dificuldade em aprender a escrever. Ocorrem suas primeiras experiências rurais de menino de engenho, nessa época, quando passa temporada no Engenho São Severino do Ramo, pertencente a parentes seus. Mais tarde escreverá sobre essa primeira experiência numa de suas melhores páginas, incluída em Pessoas, Coisas & Animais.

Nas férias de 1911 passa seu primeiro verão na praia de Boa Viagem, onde escreve um soneto camoniano e enche muitos cadernos com desenhos e caricaturas.

Dá as primeiras aulas no Colégio, em 1913.

Em 1914, ensina Latim, que aprendeu com o próprio pai, conhecido humanista recifense. Toma parte ativa nos trabalhos da sociedade literária do colégio. Torna-se redator-chefe do jornal impresso do colégio: O Lábaro.

Em 1915, tem lições particulares de Francês com Madamme Meunieur. 

Corresponde-se, em 1916, com o jornalista paraibano Carlos Dias Fernandes, que o convida a proferir palestra na capital do Estado, João Pessoa. Seu pai  não apreciava Carlos Dias Fernandes, pela vida boêmia que levava. Mesmo assim Gilberto Freyre viaja autorizado pela mãe e lê no Cine-Teatro Pathé sua primeira conferência pública, dissertando sobre Spencer e o problema da educação no Brasil. O texto foi publicado no jornal O Norte, com elogios de Carlos Dias Fernandes.

Influenciado pelos mestres do colégio, tanto quanto pela leitura do Peregrino de Bunyan e de uma biografia do Dr. Livingstone, toma parte em atividades evangélicas e visita a gente miserável dos mocambos recifenses. Interessa-se pelo socialismo cristão, mas lê como uma espécie de antídoto a seu misticismo, autores como Spencer e Comte.

Eleito presidente do Clube de Informações Mundiais, fundado pela Associação Cristã de Moços do Recife.

Em 1917, conclui o curso de Bacharel em Ciências e Letras do Colégio Americano Gilreath. Eleito orador da turma, cujo paraninfo é o historiador Oliveira Lima, desde então seu amigo, faz-se notar pelo discurso que profere. Começa a estudar grego. Torna-se membro da Igreja Evangélica, desagradando a mãe e a família católica.

Segue, no início do ano de 1918, para os Estados Unidos, fixando-se em Waco (Texas) para matricular-se na Universidade de Baylor. Inicia sua colaboração no Diário de Pernambuco, com uma série de cartas intituladas "Da outra América".

No ano de 1919, naquela Universidade, auxilia o geólogo John Casper Branner no preparo do texto português da "Geologia do Brasil". Ensina francês a jovens oficiais norte-americanos convocados para a guerra. Estuda Literatura com A. J. Armstrong, professor de literatura e crítico literário especializado na filosofia e na poesia de Robert Browning. Escreve os primeiros artigos em inglês publicados por um jornal de Waco. Divulga suas primeiras caricaturas.

Conhece pessoalmente, em 1920, por intermédio do professor Armstrong, o poeta irlandês William Butler Yates, os "poetas novos" dos Estados Unidos: Vachel Lindsay, Amy Lowell e outros. Escreve em inglês um estudo sobre Amy Lowell. Como estudante de Sociologia, faz pesquisas sobre a vida dos negros de Waco e dos mexicanos marginais do Texas. Conclui, na Universidade de Baylor, o curso de Bacharel em Artes, mas não comparece à solenidade da formatura: contra as praxes acadêmicas, a Universidade envia-lhe o diploma por intermédio de um portador. Segue para Nova Iorque e ingressa na Universidade de Colúmbia. A Academia Pernambucana de Letras, por proposta de França Pereira, elege-o sócio-correspondente, em 05 de junho desse ano.

Segue, em 1921, na Faculdade de Ciências Políticas (inclusive as Ciências Sociais Judiciais) da Universidade de Colúmbia, cursos de graduação e pós-graduação. Conhece pessoalmente Rabindranath Tagore e o Príncipe de Mônaco. A convite de Amy Lowell, visita-a em Boston. Segue, na Universidade de Colúmbia, o curso do Professor Zimmern, da Universidade de Oxford, sobre a escravidão na Grécia. Visita a Universidade de Harvard e o Canadá. É hóspede da Universidade de Princeton, como representante dos estudantes da América Latina que ali se reúnem em congresso. Torna-se editor-associado da revista El Estudiante Latino-Americano, publicada mensalmente em Nova Iorque pelo Comitê de Relações Fraternais entre Estudantes Estrangeiros. Publica diversos artigos no referido periódico.

Defende, em 1922, tese para o grau de M.A. (Magister Artium ou Master of Arts) na Universidade de Colúmbia intitulada Social life in Brazil in the middle of the 19th Century, publicada em Baltimore pela Hispanic American Historical Review e recebida com elogios pelos professores Haring Shepherd, Robertson, Martin, por Oliveira Lima e H. L. Mencken, que aconselha o autor a expandir o trabalho em livro. Deixa de comparecer à cerimônia de formatura, seguindo imediatamente para a Europa, onde recebe o diploma, enviado pelo Reitor Nicholas Murray Butler. Visita a França, a Alemanha, a Bélgica, tendo antes estado na Inglaterra. Visista, também, a Espanha e conhece Portugal. Convive com Vicente do Rego Monteiro e com outros artistas modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Brecheret. Na Alemanha conhece o Expressionismo, na Inglaterra, o ramo inglês do Imagismo, já seu conhecido nos Estados Unidos. Na França, o anarco-sindicalismo de Sorel e o federalismo monárquico de Maurras.

Vem o ano de 1923 e ele continua em Portugal, onde conhece João Lúcio de Azevedo, o Conde de Sabugosa, Fidelino de Figueiredo, Joaquim de Carvalho, Silva Gaio. Regressa ao Brasil e volta a colaborar no Diário de Pernambuco. Da Europa escreve artigos para a Revista do Brasil (São Paulo), a pedido de Monteiro Lobato.

Retorna ao Brasil em 1924 e reintegra-se no Recife, onde conhece José Lins do Rego, incitando-o a escrever romances, em vez de artigos políticos. Funda-se no Recife, a 28 de abril o "Centro Regionalista do Nordeste", com Odilon Nestor, Amaury de Medeiros, Alfredo Freyre, Antônio Inácio, Morais Coutinho, Carlos Lyra Filho, Pedro Paranhos, Júlio Bello e outros. Excursões pelo interior do Estado de Pernambuco e pelo Nordeste com Pedro Paranhos, Júlio Bello (que a seu pedido escreveria as Memórias de um senhor de engenho) e seu irmão Ulysses Freyre. Lê, na capital do Estado da Paraíba conferência publicada no mesmo ano: "Apologia pro generatione sua".

Encarregado pela direção do Diário de Pernambuco, em 1925, organiza o livro comemorativo do primeiro centenário de fundação do referido jornal: Livro do Nordeste, onde foi publicado pela primeira vez o poema modernista de Manuel Bandeira "Evocação do Recife", escrito a seu pedido. O Livro do Nordeste consagrou, ainda, o até então desconhecido pintor Manoel Bandeira e publica desenhos modernistas de Joaquim Cardozo e Joaquim do Rego Monteiro. Lê na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco uma conferência sobre Dom Pedro II, publicada no ano seguinte.

Conhece, em 1926, a Bahia e o Rio de Janeiro, onde faz amizade com o poeta Manuel Bandeira, os escritores Prudente de Morais Neto (Pedro Dantas), Rodrigo M. F. de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, o compositor Villa-Lobos. Por intermédio de Prudente, conhece Pixinguinha, Donga e Patrício e se inicia na nova música popular brasileira em noitadas boêmias. Escreve um poema longo, modernista ou imagista e ao mesmo tempo regionalista e tradicionalista, do qual Manuel Bandeira dirá depois que é um dos mais saborosos do ciclo das cidades brasileiras: "Bahia de todos os santos e de quase todos os pecados" (publicado no Recife, no mesmo ano, em edição da Revista do Norte, reeditado, em 20 de junho de 1942, na revista O Cruzeiro e incluído no livro Talvez poesia). Segue para os Estados Unidos como delegado do Diário de Pernambuco ao Congresso Pan-Americano de Jornalistas. É convidado para redator-chefe do mesmo jornal e para oficial de gabinete do Governador eleito de Pernambuco, então vice-presidente da República. Colabora (artigos humorísticos) na Revista do Brasil com o pseudônimo de J. J. Gomes Sampaio. Publica-se no Recife a conferência lida, no ano anterior, na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco: "A propósito de Dom Pedro II" (edição da Revista do Norte; incluída, em 1944, no livro Perfil de Euclydes e outros perfis). Promove no Recife o 1º Congresso Brasileiro de Regionalismo.

Em 1927, assume o cargo de oficial de gabinete do novo Governador de Pernambuco, Estácio de Albuquerque Coimbra, casado com a prima de Alfredo Freyre, Joana Castelo Branco de Albuquerque Coimbra.

Dirige, em 1928,a pedido de Estácio Coimbra, o jornal A Província, onde passam a colaborar os escritores novos do Brasil. Publica no mesmo jornal artigos e caricaturas com diferentes pseudônimos: Esmeraldino Olímpio, Antônio Ricardo, Le Moine, J. Rialto e outros. Nomeado pelo Governador Estácio Coimbra, por indicação do diretor A. Carneiro Leão, torna-se professor da Escola Normal do Estado de Pernambuco: primeira cadeira de Sociologia que se estabelece no Brasil com moderna orientação antropológica e pesquisas de campo.

Acompanhando Estácio Coimbra ao exílio, em 1930, em viagem por mar que começou na Bahia, conhece parte do continente africano (Dacar, Senegal) e inicia, em Lisboa, as pesquisas e estudos em que se basearia Casa-grande & senzala ("Em outubro de 1930 ocorreu-me a aventura do exílio. Levou-me primeiro à Bahia: depois a Portugal, com escala pela África. O tipo de viagem ideal para os estudos e as preocupações que este ensaio reflete", como escreverá no prefácio do mesmo livro)

A convite da Universidade de Stanford, em 1931, segue para os Estados Unidos, como professor extraordinário daquela Universidade. Volta, no fim do ano, para a Europa, demorando-se na Alemanha, em novos contatos com seus museus de antropologia, de onde regressa ao Brasil.

Continua, no Rio de Janeiro, em 1932, as pesquisas para a elaboração de Casa-grande & senzala, em bibliotecas e arquivos. Recusando convites para empregos que lhe foram feitos pelos membros do novo governo brasileiro — um deles José Américo de Almeida — vive, então, com grandes dificuldades financeiras, hospedando-se em casas de amigos e em pensões baratas do então Distrito Federal. Estimulado pelo seu amigo Rodrigo M. F. de Andrade, contrata com o poeta Augusto Frederico Schmidt — editor à época — a publicação do livro por 500 mil reis mensais, que recebe com irregularidades constantes. Regressa ao Recife, onde continua a escrever Casa-grande & senzala, na casa do seu irmão Ulysses Freyre.

Em 1933, conclui o livro, enviando os originais ao editor Schmidt, que o publica em dezembro.

Aparecem, em princípios de 1934, nos jornais do Rio de Janeiro os primeiros artigos sobre Casa-grande & senzala, escritos por Yan de Almeida Prado, Roquette Pinto, João Ribeiro e Agrippino Grieco, todos elogiosos. Organiza no Recife o 1º Congresso de Estudos Afro-Brasileiros. Recebe o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira pela publicação Casa-grande & senzala. Lê na mesma Sociedade conferência sobre "O escravo nos anúncios de jornal do tempo do Império", publicada na revista Lanterna Verde. Regressa ao Recife e lê, no dia 24 de maio, na Faculdade de Direito e a convite de seus estudantes, conferência publicada, no mesmo ano, pela Editora Momento: "O estudo das ciências sociais nas universidades americanas". Publica-se no Recife (Oficinas Gráficas The Propagandist, edição de amigos do autor, tiragem de apenas 105 exemplares em papel especial e coloridos a mão por Luís Jardim) o Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife, inaugurando, em todo o mundo, um novo estilo de guia de cidade, ao mesmo tempo lírico e informativo e um dos primeiros livros para bibliófilos publicados no Brasil.

A pedido dos alunos da Faculdade de Direito do Recife, em 1935, e por designação do Ministro da Educação, inicia na referida escola superior um curso de Sociologia com orientação antropológica e ecológica. Segue, em setembro, para o Rio de Janeiro, onde, a convite de Anísio Teixeira, dirige na Universidade do Distrito Federal o primeiro curso de Antropologia Social e Cultural da América Latina. Publica-se no Recife (Edições Mozart) o livro Artigos de jornal. Profere, a convite de estudantes paulistas de Direito, no Centro XI de Agosto, da Faculdade de Direito de São Paulo, a Conferência "Menos Doutrina mais Análise", tendo sido saudado pelo estudante Osmar Pimentel.

Publica-se no Rio de Janeiro (Companhia Editora Nacional, volume 64 da coleção Brasiliana), em 1936, o livro que é uma continuação da série iniciada com Casa-grande & senzala: Sobrados e mocambos. Viaja à Europa, visitando a França e Portugal.

Em 1937 retorna à Europa, desta vez como delegado do Brasil ao Congresso de Expansão Portuguesa no Mundo, reunido em Lisboa. Lê conferências nas Universidades de Lisboa, Coimbra e Porto e na de Londres (King's College), publicadas no Rio de Janeiro no ano seguinte. Regressa ao Recife e lê conferência política no Teatro Santa Isabel, a favor da candidatura de José Américo de Almeida à presidência da República. A convite de Paulo Bittencourt, inicia colaboração semanal no Correio da Manhã. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro Nordeste (aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil).

É nomeado, em 1938, membro da Academia Portuguesa de História pelo presidente Oliveira Salazar. Segue para os Estados Unidos como lente extraordinário da Universidade de Colúmbia, onde dirige seminário sobre Sociologia e História da Escravidão. Publica-se no Rio de Janeiro (Serviço Gráfico do Ministério da Educação e Saúde) o livro Conferência na Europa.

Em 1939 faz sua primeira viagem ao Rio Grande do Sul. Segue, depois para os Estados Unidos, como professor extraordinário da Universidade de Michigan. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a primeira edição do livro Açúcar (um livro de receitas) e, no Recife (edição do autor, para bibliófilos), Olinda, 2º guia prático, histórico e sentimental da cidade brasileira. Publica-se em Nova Iorque (Instituto de las Españas en los Estados Unidos) O Escritor Gilberto Freyre, vida y obra., do historiador Lewis Hanke. 

A convite do Governo português, lê no Gabinete Português de Leitura do Recife a conferência (publicada no Recife, no mesmo ano, em edição particular) "Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira", em 1940. Faz conferências em diversas cidades brasileira: Aracaju, Ministério das Relações Exteriores (DF), Porto Alegre, e outras mais. Publica-se em Nova Iorque (Columbia University Press) o opúsculo Some aspects of the social development on Portuguese America, separata d'O Escritor. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) os livros Um engenheiro francês no Brasil e O mundo que o Português criou, com longos prefácios, respectivamente, de Paul Arbousse Bastide e Antônio Sérgio. Prefacia e anota o Diário íntimo do engenheiro Vauthier, publicado no mesmo ano pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

No ano de 1941, casa-se no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro com a senhorita Maria Magdalena Guedes Pereira. Viaja ao Uruguai, Argentina e Paraguai. Torna-se colaborador de La Nación (Buenos Aires), dos Diários Associados, do Correio da Manhã e de A Manhã (Rio de Janeiro). Publica-se no Recife (Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste) a conferência "Sociologia, Psicologia e Psiquiatria", depois expandida e incluída no livro Problemas brasileiros de antropologia e contribuição para uma Psiquiatria social brasileira que seria destacada pela Sorbonne ao doutourá-lo H.C. Publica-se no Rio de Janeiro (Casa do Estudante do Brasil) e em Buenos Aires, a conferência "Atualidade de Euclydes da Cunha" (incluída, em 1944, no livro Perfil de Euclydes e outros perfis). Ao ensejo da publicação, no Rio de Janeiro (José Olympio), do livro Região e tradição, recebe homenagem de grande número de intelectuais brasileiros, com um almoço no Jóquei Clube, em 26 de junho, do qual foi orador o jornalista Dario de Almeida Magalhães.

Em 1942, é preso no Recife, por ter denunciado, em artigo publicado no Rio de Janeiro, atividades nazistas e racistas no Brasil, inclusive as de um padre alemão a quem foi confiada, pelo governo do Estado de Pernambuco, a formação de jovens escoteiros. Juntamente com seu pai, reage à prisão, quando levado para "a imunda Casa de Detenção do Recife", sendo solto, no dia seguinte, por interferência direta do seu amigo General Góes Monteiro. Recebe convite da Universidade de Yale para ser professor de Filosofia Social, que não pôde aceitar. É eleito para o Conselho Consultivo da American Philosophical Association. É designado pelo Conselho da Faculdade de Filosofia da Universidade de Buenos Aires "Adscrito Honorário" de Sociologia e eleito membro correspondente da Academia Nacional de História do Equador. Publica-se em Buenos Aires (Comisión Revisora de Textos de História y Geografia Americana) a primeira edição de Casa-grande & senzala em espanhol, com introdução de Ricardo Saenz Hayes. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro Ingleses e a segunda edição de Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife. A Casa do Estudante do Brasil divulga, em segunda edição, a conferência "Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira", proferida no Gabinete Português de Leitura do Recife(1940).

Visita a Bahia, em 1943, a convite dos estudantes de todas as escolas superiores do Estado. Lê diversas conferências as quais são incluídas, juntamente com os discursos proferidos nas homenagens recebidas na Bahia, no livro Na Bahia em 1943, que teve quase toda a sua tiragem apreendida, nas livrarias do Recife, pela Polícia do Estado de Pernambuco. Recusa, em carta altiva, o convite que recebeu para ser Catedrático de Sociologia da Universidade do Brasil. Inicia colaboração no O Estado de S. Paulo em 30 de setembro. Por intermédio do Itamaraty. recebe convite da Universidade de Harvard para ser seu professor, que também recusa. Publicam-se em Buenos Aires (Espasa-Calpe Argentina) as primeiras edições, em espanhol, de Nordeste e de Uma cultura ameaçada e a segunda, na mesma língua, de Casa-grande & senzala. Publicam-se no Rio de Janeiro (Casa do Estudante do Brasil) o livro Problemas brasileiros de antropologia e o opúsculo Continente e Ilha (conferência lida, em Porto Alegre, no ano de 1940 e incluída na segunda edição de Problemas brasileiros de antropologia). Publica-se também, no Rio de Janeiro ( Livros de Portugal ) uma edição de As Farpas, de Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz, selecionadas e prefaciadas por ele, bem como a 4ª edição de Casa-grande & senzala, livro publicado a partir deste ano, pelo editor José Olympio.

Em 1944, visita Alagoas e Paraíba, a convite de estudantes desses Estados. Lê na Faculdade de Direito de Alagoas conferência sobre Ulysses Pernambucano, publicada no ano seguinte. Deixa de colaborar nos Diários Associados e em La Nación, em virtude da violação e extravio constantes de sua correspondência. Em 9 de junho de 1944, comparece à Faculdade de Direito do Recife, a convite dos alunos dessa escola, para uma manifestação de regozijo em face da invasão da Europa pelos exércitos aliados. Lê em Fortaleza a conferência "Precisa-se do Ceará". Segue para os Estados Unidos, onde lê, na Universidade do Estado de Indiana, 6 conferências promovidas pela Fundação Patten e publicadas no ano seguinte, em Nova Iorque, no livro Brazil: an interpretation. Publicam-se no Rio de Janeiro os livros Perfil de Euclydes e outros perfis (José Olympio), Na Bahia em 1943 (edição particular) e a segunda edição do guia Olinda. A Casa do Estudante do Brasil publica, no Rio de Janeiro, o livro Gilberto Freyre, de Diogo Melo Menezes, com prefácio consagrador de Monteiro Lobato.

Toma parte ativa, em 1945, ao lado dos estudantes do Recife, na campanha pela candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da República. Fala em comícios, escreve artigos, anima os estudante na luta contra a Ditadura. No dia 3 de março, por ocasião do primeiro comício daquela campanha no Recife, começa a discursar, na sacada da redação do Diário de Pernambuco, quando tomba a seu lado, assassinado pela Polícia Civil do Estado, o estudante de Direito Demócrito de Sousa Filho. A UDN oferece, em sua representação na futura Assembléia Nacional Constituinte, um lugar aos estudantes do Recife e estes preferem que seu representante seja Gilberto Freyre. A Polícia Civil do Estado de Pernambuco empastela e proíbe a circulação do Diário de Pernambuco, impedindo-o de noticiar a chacina em que morreram o estudante Demócrito e um popular. Com o jornal fechado, o retrato de Demócrito é inaugurado na redação, com memorável discurso de Gilberto Freyre: "Quiseram matar o dia seguinte" (cf. Diário de Pernambuco 10 abr. 1945). Em 9 de junho, comparece à Faculdade de Direito do Recife, como orador oficial da sessão contra a Ditadura. Publicam-se no Recife (União dos Estudantes de Pernambuco) o opúsculo de sua autoria em apoio à candidatura Eduardo Gomes: Uma campanha maior do que a da Abolição e a conferência lida, no ano anterior, em Maceió: Ulysses. Publica-se em Fortaleza (edição do autor) O Escritor Gilberto Freyre e alguns aspectos da antropossociologia no Brasil, de autoria do médico Aderbal Sales. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) o livro Brazil: an interpretation.

Eleito deputado federal, em 1946, segue para o Rio de Janeiro, a fim de tomar parte nos trabalhos da Assembléia Constituinte. Em 17 de junho, profere discurso de críticas e sugestões ao projeto da Constituição, publicado em opúsculo: "Discurso pronunciado na Assembléia Nacional Constituinte". Em 22 de junho lê no Teatro Municipal de São Paulo, a convite do Centro Acadêmico "XI de Agosto", conferência publicada no mesmo ano pela referida organização estudantil: "Modernidade e modernismo na arte política". Em 16 de julho, lê na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, a convite de seus alunos, conferência publicada no mesmo ano: "Ordem, liberdade, mineiridade". Em agosto inicia colaboração no Diário Carioca. Em 29 de agosto, profere na Assembléia Constituinte outro discurso de crítica ao projeto da Constituição. Em novembro, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados indica, com aplauso do escritor Jorge Amado, membro da Comissão, o nome de Gilberto Freyre para o Prêmio Nobel de Literatura de 1947, com o apoio de numerosos intelectuais brasileiros. Publica-se no Rio de Janeiro a 5ª edição de Casa-grande & senzala e em Nova Iorque (Knopf) a edição do mesmo livro em inglês: The masters and the slaves.

Em 1947, publica-se em Londres a edição inglesa de The masters and the slaves, em Nova Iorque a segunda impressão de Brazil: an interpretation e no Rio de Janeiro, a edição brasileira deste livro em tradução de Olívio Montenegro: Interpretação do Brasil (José Olympio). Publica-se em Montevidéu O Escritor Gilberto Freyre y la sociología brasileña, de Eduardo J. Couture.

A convite da Unesco, em 1948, toma parte, em Paris, no conclave de 8 notáveis cientistas e pensadores sociais  reunidos pela referida organização das Nações Unidas por iniciativa do então diretor Julian Huxley para estudar as "Tensões que afetam a compreensão internacional": trabalho em conjunto depois publicado em inglês e francês. Lê, no Ministério das Relações Exteriores, a convite do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Comissão nacional da Unesco) conferência sobre o conclave de Paris. Repete na Escola do Estado-Maior do Exército a conferência lida no Ministério da Relações Exteriores.

Inicia em 18 de setembro sua colaboração no O Cruzeiro. Em dezembro, profere na Câmara dos Deputados discurso justificando a criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, com sede no Recife. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro Ingleses no Brasil e os opúsculos O camarada Whitman, Joaquim Nabuco e Guerra, paz e ciência (este editado pelo Ministério das Relações Exteriores). Inicia sua colaboração no Diário de Notícias.

Em 1949, segue para os Estados Unidos, a fim de tomar parte, na categoria de ministro como delegado parlamentar do Brasil, na 4ª Conferência Internacional da Organização das Nações Unidas. Profere diversas conferências no Brasil e no exterior. Publica-se, no Rio de Janeiro (José Olympio), a conferência lida no ano anterior, na Escola de Estado-Maior do Exército: Nação e Exército. 

Em 11 de setembro de 1950, inicia colaboração diária no Jornal Pequeno, do Recife, sob o título "Linha de fogo" em prol da candidatura João Cleofas ao Governo do Estado de Pernambuco. Tem ativa vida parlamentar, proferindo inúmeros discursos. Em 08 de novembro despede-se de seus pares por não ter sido reeleito. Publica-se em Urbana (University of Illinois Press) O Escritor coletiva Tensions that cause wars, contendo as contribuições dos 8 cientistas sociais reunidos pela Unesco, em Paris, no ano de 1948. Contribuição de Gilberto Freyre : "Internationalizing Social Sciences". Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a primeira edição do livro Quase política e a sexta de Casa-grande & senzala.

Em 1951,publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) novas edições de Nordeste e de Sobrados e mocambos (esta refundida e acrescida de 5 novos capítulos). A convite na Universidade de Londres, escreve, em inglês, estudo sobre a situação do professor no Brasil, publicado, no mesmo ano, pelo Year Book of Education. Publica-se em Lisboa (livros do Brasil) a edição portuguesa de Interpretação do Brasil.

Realiza, em 1952, conferências na Europa, que lá são publicadas. O livro Casa Grande & Senzala tem sua 7a. edição lançada no Rio de Janeiro. É lançado, também, em Paris, traduzida por Roger Bastide. Passa a colaborar com o Diário Popular de Lisboa e com os Jornal do Commércio do Recife. 

Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio), em 1953, os livros Aventura e Rotina e Um brasileiro em terras portuguesas. 

Em 1954 é escolhido pela Comissão das Nações Unidas para o estudo da Situação Racial na União Sul-Africana e apresenta à Assembléia Geral da ONU um estudo por ela publicado no mesmo ano: Elimination des conflits et tensions entre les races. Publica-se no Rio de Janeiro a 8ª edição de Casa-grande & senzala e em Milão (Fratelli Bocca), a primeira edição, em italiano, de Interpretazione del Brasile. Em agosto é encenada no Teatro Santa Isabel a dramatização de Casa-grande & senzala, feita por José Carlos Cavalcanti Borges. 

Publica-se no Rio de Janeiro (Edições Condé), em 1955, o livro para bibliófilos, com ilustrações de Lula Cardoso Ayres, Assombrações do Recife velho. Publicam-se no Rio de Janeiro (Serviço de Documentação do MEC) o opúsculo Reinterpretando José de Alencar e a segunda edição do Manifesto regionalista de 1926.

Comparece ao 3º Congresso Mundial de Sociologia, realizado em Amsterdam e no qual apresenta a comunicação, publicada em Louvain, no mesmo ano, pela Associação Internacional de Sociologia: Morals and social change. Para discutir Casa-grande & senzala, e outras obras e idéias e métodos de Gilberto Freyre reúnem-se em Cerisy-LaSalle, os escritores e professores M. Simon, R. Bastide, G. Gurvitch, Leon Bourdon, Henri Gouhier, Jean Duvignaud, Tavares Bastos, Clara Mauraux, Nicolas Sombart, Mário Pinto de Andrade: talvez a maior homenagem já prestada na Europa a um intelectual brasileiro. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) a segunda edição, em inglês, de Casa-grande & senzala. Publica-se em Paris (Gallimard) a primeira edição de Nordeste em francês: Terres du sucre.

Publica-se, em 1957, no Rio de Janeiro (José Olympio) a 2ª edição de Sociologia; no México (Editorial Cultural) o opúsculo A experiência portuguesa no trópico americano; em Lisboa (Livros do Brasil) a primeira edição portuguesa de Casa-grande & senzala e O Escritor Gilberto Freyre's "Luso-tropicalism", de autoria de Paul V. Shaw (Centro de Estudos Políticos e Sociais da Junta de Investigações do Ultramar).

Em 1958, publica-se em Lisboa (Centro de Estudos Políticos e Sociais da Junta de Investigações do Ultramar) o livro, com texto em português e inglês, Integração portuguesa nos trópicos/Portuguese integration in the tropics. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a 9ª edição brasileira de Casa-grande & senzala.

Publica-se, em 1959, em Nova Iorque (Knopf), New world in the tropics, cujo texto contém, grandemente expandido e praticamente reescrito, o livro (publicado em 1945 pelo mesmo editor) Brazil: an interpretation; na Guatemala (Editorial de Ministério de Educación Pública "José de PinedaIbarra") o opúsculo En torno a algunas tendencias actuales de la antropologia; no Recife (Arquivo Público do Estado de Pernambuco) o opúsculo A propósito de Morão, Rosa e Pimenta; sugestões em torno de uma possível hispanotropicologia; no Rio de Janeiro (José Olympio) a primeira edição do livro Ordem e progresso (terceiro volume da série Introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil, iniciada com Casa-grande & senzala, continuada com Sobrados e mocambos e a ser concluída com Jazigos e covas rasas, este ainda em preparo) e O velho Félix e suas Memórias de um Cavalcanti ( que é a segunda edição, aumentada, da introdução ao livro Memórias de um Cavalcanti, publicado em 1940); em Salvador (Universidade da Bahia) o livro A propósito de frades e o opúsculo Em torno de alguns túmulos afro-cristãos de uma área africana contagiada pela cultura brasileira; e em São Paulo ( Instituto Brasileiro de Filosofia) o ensaio A filosofia da história do Brasil n'O Escritor de Gilberto Freyre, de autoria de Miguel Reale.

Viaja pela Europa, em 1960, nos meses de agosto e setembro, lendo conferências em universidades francesas, alemãs, italianas e portuguesas. Publica-se em Lisboa (Livros do Brasil) o livro Brasis, Brasil e Brasília, e no Rio de Janeiro (José Olympio) a 3ª edição do livro Olinda.

Publica-se em Tóquio (Ministério da Agricultura do Japão, série de "Guias para os emigrantes em países estrangeiros"), em 1961, a edição japonesa de New world in the tropics: Atsuitai no sin sekai. Publica-se em Lisboa (Comissão Executiva das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante Dom Henrique) - em português, francês e inglês - o livro O luso e o trópico: Les portugais et les tropiques e The Portuguese and the tropics (edições separadas). Publica-se no Recife (Imprensa Universitária) o livro Sugestões de um novo contato com universidades européias; no Rio de Janeiro (José Olympio) a terceira edição brasileira de Sobrados e mocambos e a 10ª edição brasileira (11ª em língua portuguesa) de Casa-grande & senzala. Realiza diversas conferências no Brasil e no exterior.

Em fevereiro de 1962, a Escola de Samba da Mangueira desfila, no Carnaval do Rio de Janeiro, com enredo inspirado por Casa-grande & Senzala. Em agosto é admitido pelo Presidente da República como Comandante do corpo de graduados da Ordem do Mérito Militar. Em novembro, dirige na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra um curso de seis lições sobre Sociologia da História. Em 19 de novembro recebe o grau de Doutor honoris causa pela Faculdade de Letras de Coimbra. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) os livros Talvez poesia e Vida, forma e cor, a 2ª edição de Ordem e progresso e a terceira de Sociologia; em São Paulo (Livraria Martins Editora) o livro Arte, ciência e trópico; em Lisboa (Livros do Brasil) as edições portuguesas de Aventura e rotina e de Um brasileiro em terras portuguesas. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) O Escritor coletiva Gilberto Freyre: sua ciência, sua filosofia, sua arte (ensaios sobre o autor de Casa-grande & senzala e sua influência na moderna cultura do Brasil, comemorativos do 25º aniversário da publicação desse seu livro).

Em 10 de junho de 1963, inaugura-se no Teatro Santa Isabel do Recife uma exposição sobre Casa-grande & senzala. Em 20 de agosto, o Governo de Pernambuco promulga a Lei estadual nº 4.666, de iniciativa do deputado Paulo Rangel Moreira, que autoriza a edição popular, pelo mesmo Estado, de Casa-grande & senzala. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) a edição de Sobrados e mocambos em inglês, The mansionsand the shanties; the making of modern Brazil; em Washington, D.C. (Pan American Union) o livro Brazil; em Brasília (Editora Universidade de Brasília) a 12ª edição brasileira de Casa-grande & senzala (13ª em língua portuguesa) e no Recife (Imprensa Universitária) o livro O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX.

No ano de 1964, recebe, em setembro, o Prêmio Moinho Santista para Ciências Sociais. Viaja aos Estados Unidos e participa, como conferencista convidado, de diversos eventos. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) uma edição abreviada (Paperback) de The masters and the slaves;  no Rio de Janeiro (José Olympio) a "semi-novela" Dona Sinhá e o filho padre, o livro Retalhos de jornais velhos (2ª edição, consideravelmente ampliada, de Artigos de jornal), e a 13ª edição brasileira de Casa-grande & senzala. Segundo noticiado, recusou convite do Presidente Castelo Branco para ser Ministro da Educação e Cultura.

Em 9 de novembro de 1965, gradua-se, in absentia, Doutor pela Universidade de Paris (Sorbonne). A consagração cultural pela Sorbonne juntou-se à recebida das Universidades da Colúmbia e de Coimbra e às quais se juntaram as de Sussex (Inglaterra) e Münster(Alemanha). Publica-se em Berlim (Kiepenheur & Witsch) a primeira edição de Casa-grande & senzala em alemão: Herrenhans und Sklavenhutte; ein bild der Brasihanischen gesellschaft.

Por solicitação das Nações Unidas, apresenta ao "United Nations Human Rights Seminaron Apartheid" (realizado em Brasília, de 23 de agosto a 5 de setembro de 1966) um trabalho de base sobre "Race mixture and cultural interpenetration: the Brazilian example". Por sugestão sua, funda-se na Universidade Federal de Pernambuco. Publica-se em Barnet, Inglaterra Universidade de Colúmbia pelo The racial factor in contemporary politics; no Recife (Governo do Estado de Pernambuco) o primeiro tomo da 14ª edição brasileira (15ª em língua portuguesa) de Casa-grande & senzala (edição popular); e no Rio de Janeiro (José Olympio) a 15ª edição brasileira do mesmo livro.

Em julho de 1967, viaja aos Estados Unidos, para receber, no Instituto Aspen de Estudos Humanísticos, o Prêmio Aspen do ano. Publica-se em Lisboa (Fundação Calouste Gulbenkian) o livro Sociologia da medicina; em Nova Iorque (Knopf) a tradução da "semi-novela" Dona Sinhá e o filho padre: Mother and son, a Brazilian tale; no Recife (Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais) a 2ª edição de Mocambos do Nordeste e a 3ª edição do Manifesto regionalista de 1926; em São Paulo (Arquimedes Edições) o livro O Recife, sim! Recife, não! e no Rio de Janeiro (José Olympio) a 4ª edição de Sociologia.

Em 1968, viaja à Alemanha Ocidental, onde recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Münster por seu O Escritor comparada à de Balzac. Publica-se em Lisboa (Academia Internacional da Cultura Portuguesa) o livro em 2 volumes, Contribuição para uma sociologia da biografia: o exemplo de Luiz de Albuquerque, governador de Mato Grosso no fim do século XVIII. Publica-se no Distrito Federal (Editora Universidade de Brasília) o livro Como e porque sou e não sou sociólogo; e no Rio de Janeiro (Gráfica Record Editora) as segundas edições dos livros Região e tradição e Brasis, Brasil e Brasília. Ainda no Rio de Janeiro, publica-se (José Olympio) as quartas edições dos livros Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife e Olinda, 2º Guia prático, histórico e sentimental de cidade brasileira.

Recebe o Prêmio Internacional de Literatura "La Madoninna", em 1969. A Universidade Federal de Pernambuco lança os dois primeiros volumes do Seminário de Tropicologia, relativos ao ano de 1966: Trópico & Colonização, Nutrição, Homem, Religião, Desenvolvimento, Educação e Cultura, Trabalho e Lazer, Culinária, População. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a 16ª edição brasileira de Casa-grande & senzala.

Completa setenta anos de idade residindo na província e trabalhando como se fosse um intelectual ainda jovem: escrevendo livros, colaborando em jornais e revistas nacionais e estrangeiros, dirigindo cursos, proferindo conferências, presidindo o Conselho Diretor e animando as atividades do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, presidindo o Conselho Estadual de Cultura, dirigindo o Centro Regional de Pesquisas Educacionais e o Seminário de Tropicologia da Universidade Federal de Pernambuco, comparecendo às reuniões mensais do Conselho Federal de Cultura e atendendo a convites de universidades européias e norte-americanas.

Recebe a 26 de novembro de 1971, em solenidade realizada no Gabinete Português de Leitura, do Recife, e tendo como paraninfo o Ministro Mário Gibson Barbosa, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. A Rainha Elizabeth lhe confere o título de Sir (Cavaleiro Comandante do Império Britânico) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro o grau de Doutor Honoris Causa em Filosofia. Publica-se a primeira edição da Seleta para jovens (José Olympio) e O Escritor Nós e a Europa germânica (Grifo Edições).

Recebe o título de Cidadão de Olinda, em 1972. Recebe, em sessão solene da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, a medalha Joaquim Nabuco.

Recebe em São Paulo, no ano de 1973, o "Troféu Novo Mundo", e o "Troféu Diários Associados". Expõe telas de sua autoria na Galeria Portal de São Paulo. Por decreto do então Presidente E. G. Médici, é reconduzido ao Conselho Federal de Cultura. Viaja a Angola. Recebe em setembro, em João Pessoa, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba. Em 13 de dezembro é operado pelo prof. Euríclides de Jesus Zerbini, cardiologista de renome, no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em 1974, recebe em São Paulo o troféu Novo Mundo conferido pelo Centro de Artes Novo Mundo. A 29 de agosto a Universidade Federal de Pernambuco inaugura no saguão da Reitoria uma placa comemorativa dos 40 anos de Casa-grande & senzala. A 12 de outubro recebe a Medalha de Ouro José Vasconcelos, outorgada pela Frente de Afirnación Hispanista do México. O cineasta Geraldo Sarno realiza documentário de 5 minutos intitulado "Casa-grande & senzala", de acordo com uma idéia de Aldous Huxley. O editor Alfred A. Knopf publica em Nova York O Escritor The Gilberto Freyre Reader.

Recebe em 15 de outubro de 1975, do Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário de Pernambuco e da Associação dos Professores do Ensino Oficial, o título de Educador do Ano, por relevantes serviços prestados à comunidade nordestina no campo da Educação e da Pesquisa Social. O Instituto do Açúcar e do Álcool lança em 15 de novembro o Prêmio de Criatividade Gilberto Freyre, para os melhores ensaios sobre aspectos sócio-econômicos da zona canavieira do Nordeste. Publicam-se no Rio de Janeiro suas obras Tempo morto e outros tempos (José Olympio), O Brasileiro entre os outros hispanos (idem) e Presença do açúcar na formação brasileira (I.A.A.).

Viaja à Europa em setembro de 1976. A Livraria José Olympio Editora publica  a 17ª edição brasileira de Casa-grande & senzala e o IJNPS a 6ª edição do Manifesto regionalista, sendo lançada, também, a 2ª edição portuguesa de Lisboa de Casa-grande & senzala.

A Livraria José Olympio Editora publica, em 1977, O outro amor do Dr. Paulo (Seminovela, continuação de Dona Sinhá e o filho padre). A Editora Nova Aguilar publica, em dezembro, O Escritor Escolhida, volume em papel bíblia que inclui Casa-grande & senzala, Nordeste e Novo mundo nos Trópicos, com introdução de Antônio Carlos Villaça, Cronologia da Vida e d'O Escritor e Bibliografia Ativa e Passiva, por Edson Nery da Fonseca. Estréia em janeiro no Nosso Teatro (Recife) a peça Sobrados e mocambos. Recebe em fevereiro, do embaixador Michel Legendre, a faixa e as insígnias de Comendador das Artes e Letras da França. É acolhido como sócio honorário do PEN Clube do Brasil. Inicia em outubro colaboração semanal na Folha de São Paulo. A Editora Ayacucho publica em Caracas a 3ª edição em espanhol de Casa-grande & senzala, com introdução de Darcy Ribeiro. As Ediciones Cultura Hispánica publicam em Madri a edição em espanhol da Seleta para jovens, com título de Antologia. A editora Espasa-Calpe publica, em Madri, Mas allá de lo Moderno, com prefácio de Julián Marías. A Livraria José Olympio Editora publica a 5ª edição de Sobrados e mocambos e a 18ª edição brasileira de Casa-grande & senzala.

A Editora Nova Fronteira publica, em 1978, Alhos & bugalhos. A Editora Cátedra publica Prefácios desgarrados. A Ranulpho Editora de Arte publica Arte & ferro, com pranchas de Lula Cardoso Ayres. O Conselho Federal de Cultura publica Cartas do próprio punho sobre pessoas e coisas do Brasil e do estrangeiro. A Editora Gallinard publica a 14ª edição de Maítres et Esclaves, na coleção TEL. A Livraria Editora José Olympio publica a 19ª edição brasileira de Casa-grande & senzala. A Fundação Cultural do Mato Grosso publica a 2ª edição de Introdução a uma sociologia da biografia.

Em 1979, o Arquivo Público Estadual de Pernambuco publica, em março, a edição fac-similar do Livro do Nordeste. É homenageado no 44º Congresso Mundial de Escritores do PEN Clube Internacional, realizado no Rio de Janeiro, ocasião em que recebe a medalha Euclides da Cunha, sendo saudado pelo escritor Mário Vargas Llosa. Recebe o grau de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Médicas da Fundação do Ensino Superior de Pernambuco - Universidade de Pernambuco, em setembro. Profere diversas palestras no Brasil e no exterior. A Editora Artenova publica Oh de Casa! A Editora Cultrix publica Heróis e vilões no romance brasileiro. A MPM Propaganda publica Pessoas, coisas & animais, em edição fora do comércio. A Editora IBRASA publica Tempo de aprendiz.

Em 1980, recebe diversas homenagens pelos seus oitenta anos de vida. Recebe em São Paulo a medalha de Ordem do Ipiranga. O Governador do Estado de Sergipe lhe confere o galardão de Comendador da Ordem do Mérito Aperipê. O Congresso Nacional realiza sessão solene, destinada a homenagear o escritor Gilberto Freyre.

É homenageado durante a 32ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, realizada no Rio de Janeiro. Da mesma forma, pelo XII Congresso Brasileiro de Língua e Literatura, promovido pelas universidades estaduais do Rio de Janeiro e Universidade Federal do Rio de Janeiro. Recebe do embaixador Hansjorg Kastl a Grã-Cruz do Mérito da República Federativa da Alemanha. Recebe o prêmio Jabuti, de São Paulo, em 28 de outubro.

Recebe, em 11 de dezembro, o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica de Pernambuco. A Ranulpho Editora de Arte publica o álbum, Gilberto poeta: algumas confissões, com serigrafias de Aldemir Martins, Jenner Augusto, Lula Cardoso Ayres, Reynaldo Fonseca e Wellington Virgolino e posfácio de José Paulo Moreira da Fonseca. As Edições Pirata, do Recife, publicam Poesia reunida. A Editora José Olympio publica a 20a. edição brasileira de Casa-grande & senzala, com prefácio do Ministro Eduardo Portella. A Editora José Olympio publica a 5ª edição de Olinda. A Editora José Olympio publica a 3ª edição da Seleta para jovens. A Companhia Editora Nacional publica a 2ª edição de O Escravo nos anúncios de jornais brasileiros do Século XIX. A Editora José Olympio publica a 2ª edição brasileira de Aventura e rotina.

Em 25 de março de 1981, recebe do embaixador francês Jean Beliard a rosette de Oficial da Légion d'Honneur. Lançamento, no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, da edição em quadrinhos de Casa-grande & senzala, numa promoção da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional e Editora Brasil-América. Viaja à Espanha, em outubro, para tomar posse no Conselho Superior do Instituto de Cooperação Ibero-Americana, nomeado que foi pelo rei João Carlos I.

Recebe, em 1982, do embaixador Javier Vallaure, na Embaixada da Espanha em Brasília, a Grã-Cruz de Alfonso, El Sabio (outubro). A Editora Massangana publica Rurbanização: o que é?. A Editora Klett-Cotta, de Stuttgart, publica a primeira edição alemã de Das Landin der Stadt Die Entwicklung der urbanen Gesellschaft Brasiliens (Sobrados e mocambos) e a segunda de Herrenhaus und Sklavenhütte (Casa-grande & senzala).

Iniciam-se em 21 de março de 1983 — Dia Internacional das Nações Unidas contra a discriminação racial — as comemorações do cinqüentenário da publicação de Casa-grande & senzala, ocasião em que o Diretor-Geral da Unesco, Amadou M'Bow, lhe entrega a medalha "Homenagem da Unesco". Em abril, expõe seus últimos desenhos e pinturas na Galeria Aloísio Magalhães. Em 27 de outubro, participa de sessão solene da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História, comemorativa do cinqüentenário da publicação de Casa-grande & senzala. A Editora Massangana publica Apipucos: que há num nome?. A Editora Globo publica Insurgências e ressurgências atuais e Médicos, doentes e contextos sociais (2ª edição de Sociologia da medicina).

É realizado o lançamento, em 20 de janeiro de 1984, de selo postal comemorativo do cinqüentenário de Casa-grande & senzala. Profere diversas palestras em capitais de Estados brasileiros.  Em setembro de 1984, o Balé Studio Um realiza no Recife o espetáculo de dança Casa-grande & senzala, sob a direção de Eduardo Gomes e com música de Egberto Gismonti. Recebe a Medalha Picasso da Unesco, desenhada por Juan Miró em comemoração do centenário do pintor espanhol.

Recebe, em 1985, nos Estados Unidos, na Baylor University, o prêmio consagrador de notáveis triunfos (Distinguished Achievement Award). Realiza exposição na Galeria Metropolitana Aloísio Magalhães do Recife: "Desenhos a cor: figuras humanas e paisagens". Recebe, em agosto, o grau de Doutor Honoris Causa em direito e em Letras pela Universidade Clássica de Lisboa. Em 20 de novembro, é feita a apresentação, no Cine Bajado, de Olinda, do filme de Kátia Mesel Oh de Casa!. Em dezembro viaja a São Paulo, sendo hospitalizado no INCOR para cirurgia de um divertículo de Zenkel (hérnia do esôfago). A Editora José Olympio publica a 7ª edição de Sobrados e mocambos e a 5ª edição de Nordeste.

Após a operação, em janeiro de 1986, regressa ao Recife, exclamando: "agora estou em casa, meu Apipucos". Em fevereiro, volta a São Paulo para uma cirurgia de próstata no INCOR. Recebe em abril, em sua residência de Apipucos, do embaixador Bernard Dorin, a comenda de Grande Oficial da Legião de Honra, no grau de Cavaleiro. Em agosto, recebe o título de Cidadão de Aracaju. Em 28 de outubro é eleito para ocupar a cadeira 23 da Academia Pernambucana de Letras, vaga com a morte de Gilberto Osório de Andrade, na qual toma posse em dezembro. Publica-se em Budapeste a edição húngara de Casa-grande & senzala: Udvarház ès Szolga Szállás.

Institui, em 11 de março de 1987, a Fundação Gilberto Freyre. Em abril, submete-se a uma cirurgia para introdução de marca-passo. Em 18 de abril, Sábado Santo, recebe de Dom Basílio Penido O.S.B. os sacramentos da Reconciliação, da Eucaristia e dos Enfermos. Morre no Hospital Português, às 4 horas da madrugada de 18 de julho, aniversário de Madalena. É sepultado no Cemitério de Santo Amaro. A Editora Record publica Modos de homem e modas de mulher e as segundas edições de Vida, forma e cor, assombrações do Recife Velho e Perfil de Euclydes e Outros Perfís. A Editora José Olympio publica a 25ª edição brasileira de Casa-grande & senzala. O Círculo do Livro publica nova edição de Dona Sinhá e o filho padre. A Editora Massangana publica Pernambucanidade consagrada (discursos de Gilberto Freyre e Waldemar Lopes na Academia Pernambucana de Letras).


Os dados acima foram coletados em livros de e sobre o autor, sites da Internet, em especial o da Fundação Gilberto Freyre.

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