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Arnaldo Nogueira Jr



J. Carino
AS CORES DO RIO

João Barcelos - Rio visto da Ilha Fiscal


Nosso Rio de Janeiro faz a alegria de cronistas, músicos e poetas, que o cantam de todas as formas. Mas gosto de vê-lo também transformado em cores, que igualmente alegram as paletas dos pintores.

Ah, as cores do Rio! Dizem que não há cores mais belas em nenhuma cidade do mundo. Turistas estrangeiros, ou brasileiros que descobrem o Brasil, ficam boquiabertos diante desta verdadeira paleta usada pelo Criador para pintar a Cidade Maravilhosa.

João Barcelos - Cristo e Outeiro vistos do Aterro

João Barcelos - Pão de Açucar visto do Aterro


O cinza azulado do Corcovado é referência de beleza, contrastando com o céu de azul inigualável, que vai cobrindo tudo até se limitar pelo verde – ou pelos muitos verdes diferentes – da floresta que resiste e ainda se debruça sobre grande parte da cidade.

Nas praias, o verde-azul do mar, bordado de ondas branquinhas, lambe a areia dourada, sobre a qual se deitam, lânguida e sedutoramente, as mulheres lindas de cor bronzeada. E, nesse palco democrático sob o sol e sobre a areia, barracas coloridas, biquinis, maiôs, sungas, carrocinhas de sorvete, chapéus, bonés, petecas, redes de vôlei, os prédios da orla, os automóveis e ônibus que passam, tudo forma um caleidoscópio que encanta olhos atentos para admirar a profusão de cores.

João Barcelos - Praia Vermelha


Nas praças, o verde azinhavrado das estátuas se encontra lado a lado com o branco dos bancos, e se aproxima do verde e do marrom acobreado da folharia das árvores. As crianças, com roupas coloridas, os carrinhos de bebê azuis, amarelos e vermelhos e seus brinquedos de variadas cores fazem contraste com os uniformes amarelos ou branquinhos das babás.

João Barcelos - Convento de Santo Antônio com Reflexo

No centro da cidade, o cinza-esbranquiçado das construções antigas dá o tom. As igrejas e os conventos ainda contribuem com suas janelas e portas em marrom ou azul, emolduradas pela cor das pedras muitas vezes centenárias. O verde-musgo dos sinos, lá no alto, parece a fé cristalizada numa cor sóbria e eterna... E isso tudo se contrapõe, e ao mesmo tempo se harmoniza, com o brilho esverdeado ou o reflexo de cristal dos vidros de prédios moderníssimos.

 

As cores, a vibração e toda a energia carioca também se mostram de forma sintética, concentrada, numa tarde de futebol no Maracanã. O antigo "maior do mundo", com sua imensa cúpula acinzentada, explode nas cores dos fogos de artifício que saúdas os times; no colorido dos uniformes dos jogadores; nas bandeiras dos clubes. A fumaça de variadas cores lançada na entrada das equipes dá um toque especial, seja de dia, seja à noite quando sobe em meio à luz branco-amarelada dos refletores. João Barcelos - Jogo do Flamengo


As cores do Rio, que nos encantam a retina, estão em toda parte: no burburinho da Saara, nas corridas do Jóquei Clube, nas alamedas de sonho verdejantes do Jardim Botânico, na multidão de cores de legumes e frutas que se vê nas feiras livres, nas lojas de flores... Até nos barracos encarapitados nas favelas ou nos jardins de casas simples dos subúrbios o colorido humaniza tudo.

As cores do Rio são as cores da vida, que podem ser românticas ou sensuais; de tons quentes ou frios; marcantes ou suaves.

Que nosso Rio de Janeiro continue assim, coloridíssimo. Que mesmo o vermelho das tragédias ceda lugar ao branco da paz, conservando nossa cidade, para sempre, maravilhosamente colorida.

João Barcelos - Pescando na Baía

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J. Carino escreveu As Cores do Rio, com exclusividade para o Releituras, inspirado na beleza da cidade e da pintura de João Barcelos.

Para ler outros textos de J. Carino, clique aqui.


Ilustração: João Barcelos

João Barcelos

João Barcelos, premiado artista plástico, possui uma pintura classificada no meio artístico de figurativa; pode-se dizer que seu estilo é impressionista com toques expressionistas.

O desenho faz parte de sua vida desde suas mais remotas lembranças. (...) Entretanto, sua formação profissional não começou pela Arte. Durante a vida, aprendeu a ser Físico, após uma passagem de cerca de 10 anos pela carreira militar. (...) fez dois pós-doutorados nos Estados Unidos, no Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Rochester. No início da carreira foi Professor da UERJ e, mais tarde, chegou a Professor Titular do Instituto de Física da UFRJ. Deu aulas das mais variadas disciplinas, tanto na graduação como na pós-graduação, e ocupou quase todos os cargos administrativos (Chefe de Departamento, Diretor de pós-graduação, Vice-Diretor e Diretor do Instituto). Também trabalhou intensamente em pesquisa por cerca de 30 anos (a Física Quântica foi sua especialidade...

Até o final de 2002, durante cerca de doze anos, foi igualmente Físico e Pintor. Embora sejam duas atividades aparentemente antagônicas, elas seguiram paralela e harmoniosamente no seu dia-a-dia. Talvez apareçam nos seus quadros através da harmonia entre a luz e a sombra ou no convívio pacífico entre cores quentes e frias. Enquanto Físico, usou a Arte para sentir a harmonia e a beleza, muitas vezes escondidas, nas equações de sua pesquisa, e enquanto Artista usou a Ciência para tentar entender os mistérios sobre composição e harmonia de formas e cores. Atualmente é só Artista. "A Física é para mim, no momento, um elo racional e indispensável com o mundo em que vivo".

No site do artista, acesse a biografia completa e uma generosa exposição de sua obra: http://www.joaobarcelos.com.br

 

 

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