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Arnaldo Nogueira Jr



Manoel de Barros


Auto-Retrato Falado

Manoel de Barros


Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.

Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.

Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,

      aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar

      entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto

      meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou

      abençoado a garças.

Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que

      fui salvo.

Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.

Os bois me recriam.

Agora eu sou tão ocaso!

Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço

      coisas inúteis.

No meu morrer tem uma dor de árvore.


Manoel de Barros (1916) se firma cada vez mais como um de nossos maiores e melhores poetas.  Ênio Silveira, no "O Livro das Ignorãças", Editora Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1993, pág. 107,  de onde extraímos o texto acima, comenta:

"Manoel de Barros continua conosco, criando e renovando-se a cada instante, como nos demonstra neste seu novo e admirável livro, onde, num belo poema, nos diz: "Maior que o infinito é o incolor./ Eu sou meu estandarte pessoal./ Preciso do desperdício das palavras para conter-me./ O meu vazio é cheio de inerências./ Sou muito comum com pedras."...  Haverá, pois, algum sentido prático em tentar defini-lo?   Será bem melhor que nos deixemos envolver pela sua poesia, que nos encantemos pela sua constante redescoberta das palavras."

Saiba mais sobre o autor e sua obra visitando "Biografias".

 

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