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Arnaldo Nogueira Jr


Thiago Pimentel (1984) é mineiro de Belo Horizonte e economista formado pela PUC-Minas. Atualmente não tem residência fixa, percorrendo o mundo em busca de novos conhecimentos e culturas. Tem predileção por formas de vida alternativa e em comunidade. Como amante da literatura encontra no movimento Beat dos Estados Unidos dos anos 1950 sua maior fonte de inspiração para escrever, tendo Jack Kerouac seu maior ídolo. Além de ter forte admiração por autores como Henry David Thoreau e Liev Tolstoi. Possui algumas poesias publicadas em alguns websites.


O Amor, O Ódio e O Processo

Thiago Pimentel


Eu ainda posso vê-la. Toda encolhida à minha frente, como uma criança insegura. Então eu fito seus olhos, pequenos, e me vejo perdido em meio à imensidão azul que brilha em lágrimas, que são reflexo daquilo que, sendo incompreendido, escorre até o sorriso, tradução máxima do amor, para o qual não há razão nem entendimento.

Repouso uma de minhas mãos nos seus cabelos, curtos e muito finos, que agora deslizam por entre os meus dedos. E também aproximo o meu rosto do seu, face rosada e macia, que de tão suave e sensível, faz que por um momento eu pare de respirar e me perca no perfume que é suor e lágrimas e desejo.

Fecho os olhos para enxergar a pureza do seu coração, e com a minha outra mão ensaio carícias que me saem trêmulas e me fazem perceber que a leveza de um ato assim pode estar um pouco além do que é tangível, e transcende ao nível do que só se toca com os dedos da alma.

Meus sentimentos todos se misturam em um êxtase alucinante e meu coração pára. Pois que sinto seus lábios tocarem os meus...

Já não a posso mais ver. Quem está de pé à minha frente, como uma fera insana, não possui os mesmos olhos pequeninos. Quem eu vejo está perdido em rancor e mágoa, em meio a uma profusão de palavras desconexas e sem brilho, que são reflexo daquilo que, de forma incompreendida, transborda pela boca e se traduz em ódio, sob o qual não há aceitação nem sorrisos.

Sinto de longe estremecerem todas as partes do seu corpo, alvo e muito frio, que outrora se aninhou entre os meus braços. E então afasto meu olhar de sua face avermelhada e áspera, que de tão grave e terrível, faz com que por um momento eu pare de lhe desejar e me encontre no sofrimento que é dor e lágrimas e desespero.

Fecho os olhos para não ver a tristeza em seu coração, e de mãos atadas ensaio palavras que ressoam alquebradas e me fazem descobrir que o limite entre o amor e o ódio é uma linha tênue, e sobrevive latente ou se rompe em fúria do fundo da alma.

Meus sentimentos todos se atropelam em uma confusão esmagadora; meu coração parara há um bom tempo. Foi quando a vi desaparecer pela última vez.

Uma porta que se fecha, uma janela que se abre a alumiar minha amarga e doce conclusão. Sobre as palavras que não puderam ser ditas, das cartas não escritas, aos contos de fada sussurrados na cama ao pé do ouvido... O que mais seria a vida além de um longo e finito processo de amar e ser amado, perder a pessoa amada e se deparar angustiado? Para então se redimir da tristeza e, amando a si próprio, caminhar por entre os brotos que logo serão lindas flores, pois o inverno termina sempre que a primavera chega.


E-mail:
tatah1984@hotmail.com

 

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