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Arnaldo Nogueira Jr


Viviane Almeida - Formada em História e especialista em Psicopedagogia, atua na área da Educação há 12 anos. Nascida na Bahia, diz ter metade da alma baiana e a outra paulistana, pois mora na capital de São Paulo desde a infância. Começou a escrever na adolescência, mas eram meros textos de diários. Nunca teve pretensões de expor seus textos, mas agora resolveu abri-los ao público.


Mas como era mesmo o nome do Santo?

Viviane Almeida


Nem era dia do santo, mas ela foi até a igreja assim mesmo. Ajoelhou-se diante da imagem, era São Judas Tadeu. Acendeu vela, colocou flores no altar e rezou, mesmo sem saber uma reza sequer que pudesse agradar o santo. Para dizer a verdade, nem acreditava em santos ou milagres, e muito menos sabia o que lhe passou por sua cabeça, mas estava ali, ajoelhada e precisava rezar...

Falou com o santo, fez promessa, rasgou o verbo, chorou, olhou para os lados, não havia ninguém, então berrou mais alto para que o santo pudesse ouvir melhor, pois ouvira dizer que ao falar com os santos era necessário falar alto, não porque eles fossem surdos, mas para o pedido ser atendido rapidamente. E ela tinha pressa!

Tocou o manto do santo, diziam que era sagrado, mas não sabia se era tão sagrado, pois não acreditava mesmo nessas coisas, mas estava lá a rezar e tocar o manto vermelho e as sandálias dos seus pés. Olhou para os olhos do santo, seu corpo gelou e pôs-se mesmo a rezar.

Acendeu outra vela. Tirou da bolsa um lenço, as lágrimas lhe desciam pelo rosto. Falava com o santo sobre o desejo que queria realizar. Estava no lugar certo, o santo devia ser mesmo eficiente, era o das causas urgentes, então... pediu com mais urgência ainda, pois seu coração estava a se desfazer.

Nem sabia direito o nome do santo, pensou ser Antonio, mas não era, o Santo Antonio tinha um filhinho nos braços, esse não tinha... mas como era mesmo o nome do santo? Ela não lembrava, porém não se importou, chamou-o de "santinho". Daí pensou que pudesse estar na igreja errada. Será que o santo era mesmo aquele, o que apressa os milagres? Parou a reza, olhou para o lado, viu uma beata, limpou os olhos e perguntou:

— Essa é mesmo a igreja do santo das causas urgentes? E a beata respondeu-lhe:

— Das causas urgentíssimas, é São Judas Tadeu, minha filha!

Daí se lembrara que realmente era esse o nome do santo e ficou feliz, pois estava enganada, não era o das causas urgentes, era o das causas urgentíssimas. Então, pôs-se novamente de joelhos, tirou o lenço mais uma vez da bolsa e desatinou a pedir, chorar, suplicar....

Ficou ali por horas até decidir encerrar a sessão de pedidos ao santo, não queria ser pegajosa com ele, mas voltou a pedir, só mais um pouquinho, por um milagre que alegrasse o seu coração. Levantou-se, guardou o lenço na bolsa, olhou bem para o santo e sabia que seria atendida. Colocou-se em direção à porta de saída, olhou a rua, respirou o ar que não era tão limpo, a cidade estava poluída, sentiu uma leve brisa no rosto e foi em direção à parada de ônibus com a certeza de que não precisaria mais inventar rezas que não sabia e rogar ao santo das causas urgentíssimas, pois em seu coração já havia a certeza de que o milagre aconteceria.

E aconteceu... o santo era mesmo eficiente! Ele veio... o amor que ela tanto esperava, da maneira como ela sempre quis e chamava-se Lutério. Tudo bem que o nome não era assim tão bonito, mas era exatamente por ele que ela havia suplicado aos pés do santo e rezado uma reza que desconhecia.

Então, ela acordou, molhada de suor, pois a noite era quente... Olhou o relógio, ainda eram três da manhã, voltou a dormir e às seis da manhã, levantou-se, pôs a melhor roupa, um lenço e um maço de velas na bolsa, foi à parada de ônibus e pôs-se ao caminho da tal igreja que vira no sonho.. Quem sabe o santo era mesmo o das causas urgentíssimas e poderia transformar o seu sonho em realidade...


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